Corpo que queima
Oscila teus nervos
- vejo encanto no fogo
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Sei que, agora, respiro um ar familiar, carregado da nostalgia dos Dezessete, mas de uma intensidade inigualável, e volto a suspirar o encantamento da mais Doce – essa que tenho como o Amor, que dela faz-se servo. Não tenho mais veneno correndo pelas artérias de meu coração que agora pulsa a melodia dos românticos, fim de noite, num parque – do antídoto nem uma gota foi salva. Tenho os olhos a cintilar cada vez que tenho um sorriso – meu festim – meus olhos afogando em lágrimas salubres. E respiro dor, alegria, o que parte de ti. E meus sentimentos também respiram na busca da renovação, cada vez mais ofegante:
Sei que, agora, respiro um ar familiar, carregado da nostalgia dos Dezessete, mas de uma intensidade inigualável, e volto a suspirar o encantamento da mais Doce – essa que tenho como o Amor, que dela faz-se servo. Não tenho mais veneno correndo pelas artérias de meu coração que agora pulsa a melodia dos românticos, fim de noite, num parque – do antídoto nem uma gota foi salva. Tenho os olhos a cintilar cada vez que tenho um sorriso – meu festim – meus olhos afogando em lágrimas salubres. E respiro dor, alegria, o que parte de ti. E meus sentimentos também respiram na busca da renovação, cada vez mais ofegante.²
Loucura é o aguçar dos defeitos.
“Lança os suspiros que permeiam teus lábios e arrisque um telefonema”, foi o que me disse a voz que ainda ama. Chances ultrapassadas na luxúria de meus dedos que agora cantarolam cantigas implícitas sobre as teclas do escarro. Oh, eles dançam! E como dançam nas manhãs em que o sol, solta raios de nostalgias e te faz louco como o Diabo. É quem vos fala. Quem contamina o inimigo com a tua raça de cor caudalosa e ar trêmulo. É as manhas e a sua dose moderada do prazer que deveria ser constante, infinito. É o que tento alcançar nesse amontoado de sentimentos esquecidos – deveras tem mais mérito do que lhe é permitido – e consumidos por gente de classe. Classe penosa, da que conhece o subúrbio do Inferno: onde Satanás pede Salvação para as almas.
“Reprima, alma aflita!”, a mesma voz, num consulado de críticos d’alma Artística. Criminalizam a voz vulgar, sabes bem que teu degredo vale menos que qualquer livro que encontrar pelo ambiente. Julgam mas não são julgados. “Há almas que vagam apenas por vagar, meus senhores…”, impõe a voz de quem pinta guache, “Vamos ao caos” , as vozes vassalas ao seu redor ecoaram sussurros por entre ouvidos que julgam eu não ter. E você nada ouve. Ali houve um lapso sobre qualquer sentimento a fim de aguçar. O bastante que afogou junto às minhas lágrimas. Onde você tentou afogar o meu descaso – típico caso de anteriores perdas de contato – e tornou ódio o que era ébrio. E a fadiga de você aumenta, mas de você não paro. É o que acontece com quem ama a loucura, e oferece prazer a loucura, e dorme com a loucura, e perde a virgindade pra loucura, e a loucura torna o Seu primeiro amor.
[...]
14 de Dezembro
Quem sou eu se não aquilo que penso que sou? Este é o ano que premedita a minha ascensão, dos novos ares que tenho a respirar. Palavras irão brotar dos arranha-céus tempestuosos e alagarão mentes lúcidas, tirando-as da sua sobriedade cancerígena e te colocarão no chão – isso desde os primórdios. A confusão da dissintonia peculiar tornará loucas as almas Wertherianas e fazendo-as dançar no seu suicídio exaustivo, como cerimônia imaculada, transformará os teus sofrimentos em líquidos diuréticos e plasmócito. Quão horrenda soará a minha estadia em tal vilarejo pueril, sujo de teu suor. Verás o meu pecado sendo pago, cada mísero centavo da minha vida em penúria sendo jogado aos porcos que me cercaram por toda vida – já que de curta esta não passará. Por cada vez que te deixei na lona de seu mundinho cinza, numa tonalidade diferente e menos sem graça que o meu, e que retorci seu miocárdio silencioso até o seu último pulsar, uma lâmina atravessará a minha goela, proferindo a morte tão ansiada em tempos infinitos. O meu instinto aguçará fazendo-me soluçar os tropeços na beira do abismo eterno, que é como denomino a pulsão Viver. Dividirei, na desigualdade, a minha autoridade sobre seres viventes que perdi no decorrer de meus ataques periódicos e viris. Sabes que sou do feliz, o mais infeliz dos que pisa no solo árido e Depressivo, dessa linha cronológica de desgraças patológicas, e infértil a todo caso ou descaso. Quão será o meu futuro diferente dos impulsos caóticas de minha boca que acalanta e destrói lares… A resposta resume-se a quão bastardo eu consigo ser, deste mundo que me amamentou do veneno que utilizo como escudo e espada; hostilizo tua incapacidade de permear das mais doces, quando estas, recentemente, tem sido extinta dos meus instintos. Meus olhos estão virados pro interior que arde demência cívica, anti-social e vacilante. Então… Quanto vale falar senão do que me assumo e profiro aos cantos mais inóspitos, onde se espalham retalhos untados do sangue inoculo de âmagos rendáveis, e aos pedintes de abortos vitais que rodeiam o sapato que sequer pedir para ter?
Peço-lhe para que aguarde o abate de meu último suspiro.
As iluminuras do Dezessete de Novembro, deixarão rogadas todas as cantorias passadas e abrirá verbo para a polissemia de um Grupo – como assim gosto de remetê-los – em que encontro o afago artístico que tanto me incitava:
Querubins rodeiam Tais permeiam
Os inocentes silêncios de fato rodeiam
A Matéria anual que não desfaz, se recheiam
Tatos de um novo pensamento, tonteado, semeam.
Tais formais Afins de mais um líquido dourado
Ao qual, por fim, saboreiam do logo encontrado
Fardo, largo, me disparo
Tragos, polissemia de escarros.
Infinitas planícies ao que é almejado, sei
Que nas loucuras físicas, procriei
Num verbo que acentua a minha cor…
Basta o falecer de suas memórias. Tenho um maço de cigarros e de uma nação pra falar. Onde vivo o calor é o Inferno. Vivo o inferno. Transo o rabo de sua dócil gueixa e te deixo na secura. Na secura das manhãs. Na brancura do véu que cobre minha parte detestável – O Alcoólatra, não visto nas pós-transas e o Mal-Humorado dessas manhãs secas – dessas manhãs. Talvez noites. Talvez tardes de sol a pino. Mas essa nação, quis impedir minha humilde pessoa, escrota, de cantar minhas cantigas de ninar crianças, uma espécie de pós-aborto. Hoje, seria clichê dizer poesias. Pois a modernidade só trouxe Drummond aos ouvidos de estudantes. Ela foi morta. – Quem, a Eternidade?
Trago flores na flor da minha idade, caquética. E já que gosto de ébrios, E de ébrio. Transmito também a minha embriaguez frente ao seu ar apático, ao meu ar nocivo. Sou ácido¿ Trafico palavras, já que talvez, elas sejam assim tão alucinógenas. Dizem amarem o meu coração, acho bonito. Mas há quem torce para vê-lo apodrecido, outros já têm a certeza de já estar. Trago também cacos de meus resquícios, esquecidos pela maioria hipócrita. Talvez seja somente a força da palavra, hipócrita. E também por que, digo-me poeta. Poeta dos dias úteis. Esculacho minhas dívidas com a sociedade, me embriago, cortejo o meu pileque cotidiano, não tenho tempo para velhos no asilo, a mim cabe também apatia, sou dopado por pílulas, meu sono é atormentador, amo alguém que sumiu por não-sei-quantos dias, minha barriga está vazia, não estou no aconchego do meu canto no que te chamam de lar, essa cidade cheira mal, e todo o tipo de ódio que possa imaginar, tenho em meu bolso. Aquele que me esfaqueia, não peço-lhe licença, do contrário te empunhalo pela têmpora e te vejo sangrar tolice. Misturada aos copos de vinho caro e trabalhos sociais. Enfim sou livre, mas não de mim mesmo. Agüento-me por vinte anos. Comecei a falar fazem Três.
Cantemos: orgias, vigias e o que for. Cantemos os foras da lei. Os que defecam para a lei.
Esse é o começo do seu Fim.
Havia Ninguém,
Que amava Ninguém,
Que Ninguém Amava,
Que amava ninguém,
Que Ninguém Amava,
Que Amava, Que Amor¿
Que descartava:
Seus olhos,
Trancou.
Havia alguém, te rodeando feito criança, e você cerrou seus olhos e por fim deu um sinal de que Ninguém jamais entrara no seu barco, que estava partindo, à navegar com os Ventos. Mais uma brisa perdida, meio a partidas de motores.
Ninguém amava.
[....]
Quem algum dia disse que tornam formas a mesmice nas variações cotidianas?! És somente teu querido que vos fala a mente e é digno de estudo. A minha voz é como o bater de asas de um beija-flor, que te permeia de maneira sensitiva.
[...]
01. O Poeta
Não irei umedecer as plantas dos meus pés por um fruto. A Verdade é que era melhor que isso. Melhor que qualquer palavra que você leu até agora. (Pausa.) Viu como te controlo¿ Teus movimentos são feitos a partir das minhas ondas, e que ondas cortei, companheiros e companheiras. Não há nada além de sua, medíocre, Vida. Acredite. Estou a proferir teu eu enganado por fontes de fé. És fraco, amigo. O Seu flagelo é vão, todos os cortes, todas as rendas, toda comida foi consumida pela sua fé, e agora você está sozinho. Não tem boca para cuspir lamúrias, não tem braços para acenar chateação. Todos os seus membros foram retirados pela milícia Social. O teu pulmão suplica de joelhos por ar, tua garganta arranha quadros negros e o teu olhar avança nas tremedeiras e vertiginosas.
O fiasco das tuas leis sobre um ninho de jovens pássaros, agonizando o seu último suspiro. Trinta e três espadas atravessam sua goela que despenca a ladeira de seu pescoço.
02. A Poetisa
Umedecerei meus pés das lágrimas, pois quero tuas pupilas secas para um posterior beijo amoroso. Não qualquer beijo, mas um que faça tuas pernas avançarem na tremedeira, e teus lábios ansiarem por mais até que seu corpo caia em morte. Tua saliva é o que uso para matar a minha sede que nasce pode debaixo de minhas saias. Por Amor, e De Amor, suspiro o teu nome pelos cantos das salas, quartos, corredores, banheiros, cozinhas e debaixo do edredom que cobre minha alva pele.
O frasco de perfume te espera, no veludo de minha nuca. Por beijos de um calor extremo, quero sentir-me no inferno quando teus braços se apossarem de meu tronco.
Ouço-te.
03. A Poesia
Umedecerei todo o meu corpo e alma das bandejas que jorram todo o sentimento – seja qual for este, esta – assaz do extremo. Juro, tenho infinitas faces. Sou você enquanto sou eu. Sou eu quando você me menciona. Falo infinitas línguas. Sou o Mar, os Corvos, os Resquícios, os Sofrimentos e todo aquele que me toca com o seu miocárdio espasmódico.
Sou Tudo quando Tudo é Nada. Sou nada, quando Nada é Tudo. Sou você, na beira de um abismo.